
Desde pequena ela já gostava muito de desenhar. Passava horas tentando reproduzir desenhos de um livro que gostava. E quase sempre arrancava um elogio dos parentes, amigos e professores. Essa paixão pelo desenho se tornou, posteriormente, sua profissão. Silvana Rando, mãe da Verônica, trabalha como ilustradora desde 2006. Tem 18 livros ilustrados, sendo que dois deles ela mesma escreveu: Peppa (2009) e Gildo (2010), ambos pela Editora Brinque-Book. Com o Gildo, um livro delicioso que conta a história de um elefante que tinha medo de bexigas, Silvana levou este ano nada menos que o prêmio Jabuti de melhor ilustração. Hoje, com exclusividade para o Mamatraca, Silvana Rando fala um pouco sobre a leitura e o universo infantil.
Tem gente que pensa que é fácil escrever para crianças. Existe algum segredo para agradar ao público infantil?
Não sei se existe algum segredo. Sei que adoro o universo infantil, isso torna a coisa bem mais fácil. Para mim o difícil seria fazer um livro para adulto.
Você é escritora e, especialmente, ilustradora. Qual é o poder da ilustração para despertar o interesse das crianças pelos livros?
As crianças adoram os desenhos, as cores. As ilustrações ajudam muito a compor a história na imaginação deles. Dão dicas de personagens, lugares, passam o clima do livro.
Quanto tempo em média você leva para criar as ilustrações de um livro infantil como o Gildo, por exemplo, que é repleto de detalhes?
Para criar o personagem e ilustrar todo o livro, demorei uns três meses mais ou menos.
Suas ilustrações costumam ter uma brincadeira que são os bichinhos que ficam escondidos em todas as páginas e fazem sucesso com as crianças. Isso acontece com o patinho no “Gabriel, já para o banho” e também a baratinha no “Gildo”. Como surgiu essa idéia?
Quase sempre coloco um companheiro, um amigo para os personagens principais, como os pássaros da Clara e do Gabriel e a barata do Gildo. É como se as ilustrações contassem uma historinha além do texto, geralmente com mais humor. No caso do pato de borracha do Gabriel já para o banho!, eu quis fazer uma outra brincadeira, escondi quase todos para as crianças procurarem.
Sua filha acompanha seus processos de criação? Ela dá palpite nos desenhos?
Como trabalho em casa, a Verônica é a pessoa que mais me ajuda na criação dos livros. Sempre me dá dicas geniais, tanto nos textos como nos desenhos.
Você acha que o fato de ser mãe te dá mais repertório para poder criar para crianças? Você se sente mais íntima do universo delas?
Eu sempre gostei muito de coisas para criança e o bom é que agora tenho com quem compartilhar. Mas ser mãe realmente é uma grande fonte de inspiração.
O que surge primeiro em um livro infantil: o texto ou a imagem?
No meu caso, sempre a ilustração. Primeiro eu crio um personagem e depois invento uma história para ele.
Se você pudesse dar um conselho às mães de crianças pequenas em relação à leitura, o que você diria?
Toda pessoa gosta de uma boa história, seja ela criança ou não. Tudo depende da maneira como mostramos. Talvez escolher assuntos que a criança goste e se identifique, seja um bom caminho.