Birras

POR QUE AS BIRRAS ACONTECEM?

A Dra Ivani Mancini, pediatra parceira do Mamatraca, esclarece hoje alguns pontos importantes sobre a origem das birras e como os pais devem agir diante delas. A Dra Ivani é mãe do Fernando, de 9 anos, e é com ele que adora passar seu tempo livre. Ela também escreve, junto com mais duas colegas, o blog Pediatrio (http://pediatrio.blogspot.com/) onde esclarece assuntos relacionados à saúde da criança. Se quiser fazer perguntas para a Dra Ivani sobre birras, deixe aqui nos comentários e aguarde a resposta aqui mesmo!

Confira a entrevista:

 

Por que as birras acontecem?

Birras fazem parte do desenvolvimento emocional das crianças entre um ano e três anos e desaparecem até os quatro anos de idade. Durante esta fase, as crianças experimentam uma sensação maior de independência, o que as levam a se sentir  “o centro do universo”. Tanto egocentrismo acaba sendo difícil de lidar e, para fazerem valer suas vontades, muitas vezes elas birram.

Os especialistas em desenvolvimento emocional infantil também explicam as birras pela dificuldade que as crianças pequenas têm de verbalizar seus sentimentos. Tanto é que, por volta dos três anos, quando já possuem um bom domínio da linguagem, as birras acabam.

Há situações muito freqüentes em que as birras acontecem, como, por exemplo, quando têm sono, fome ou algum desconforto. Mas, algumas vezes, a birra acaba acontecendo apenas para chamar a atenção.

 

Existem formas de os pais conduzirem a criança para que ela verbalize seus sentimentos e frustrações sem fazer birra?
 

Ajudar a criança a verbalizar seus sentimentos pode não ser uma tarefa muito fácil. Primeiro é necessário entender qual é o problema, o que está levando a criança a se irritar. Às vezes é uma atividade que ela está fazendo e que está além do seu alcance e que, com paciência, dá para ajudar a criança a fazer. Algumas crianças mais independentes podem querer fazer tudo sozinhas e, se não se permite, o mundo desaba. Nesta hora, cabe aos pais ponderarem se vale a pena comprar a briga ou deixar a criança colocar o sapato sozinha, mesmo que demore, vestir a camiseta roxa com a calça verde-limão, mesmo que não combine ou mesmo deixá-la usar a escova de cabelo um pouquinho para matar a vontade. São situações que não colocam a segurança ou a saúde da criança em risco. Veja bem, não é uma questão de dizer amém a tudo o que a criança quer. Há situações que são absolutamente não negociáveis, como por exemplo, sentar na cadeirinha do carro, lavar as mãos para comer ou após ter usado o banheiro e tomar banho ou escovar os dentes. Nestas situações, não se pergunta, nem se argumenta. Simplesmente se manda e pronto.

 


O que a gente mais ouve quando nosso filho está fazendo birras é: "isso passa". Doutora, por favor, nos acolha: isso é mesmo uma fase? Quanto tempo dura?

Sim, essa fase passa. Só que ela demora quase dois anos, o que leva muitas mães e pais ao desespero e à conclusão errônea de que são incompetentes na criação de seus filhos. Calma, pessoal. Vocês não são maus pais, seus filhos não são maus filhos e a birra é normal. Cabe aos pais perceberem se a criança está usando este comportamento para chamar a sua atenção.



Os motivos que levam uma criança de 18 meses fazer birra são os mesmos que provocam uma de quatro anos? 

Uma criança de quatro anos não tem a mesma necessidade de chamar atenção como uma criança de um ano e meio. Ela consegue atenção de formas mais positivas, já se comunica bem e não tem necessidade de ganhar as coisas “no grito”. Por isto, uma criança de quatro anos que faz birra com freqüência pode estar necessitando de mais atenção por algum motivo. Ou tem passado pouco tempo com os pais, ou está dividindo a atenção dos pais com um irmãozinho, para citar dois exemplos mais freqüentes.



E a postura dos pais, também deve variar conforme a idade da criança?

Existe uma frase que eu costumo repetir muito no consultório, para os pais e mães de crianças birrentas, que é a seguinte:“Sem platéia não há show”. A criança está tentando chamar a atenção da forma errada. Se houver quem assista ao espetáculo, ela atingirá seu objetivo. Na hora do chilique, veja se não há perigo de acidente e, simplesmente, saia do ambiente, sem falar nada. Ela provavelmente vai mudar o local do show para onde você estiver. Saia do local de novo, sem falar nada, ignore o espetáculo, faz de conta que não é para você. E não fale nada. A criança vai entender que essa estratégia não dá certo e vai desistindo de utilizá-la. Esta atitude dá muito certo com crianças que estão dentro da faixa etária normal de birra. Quando a criança é maior, já com quatro anos ou mais, ela entende bem uma boa conversa e aqui cabe um diagnóstico do motivo que a está levando a fazer tanta birra.



O castigo pode ser uma boa solução para acabar com as birras? Em que situações?

A criança pequena vai testar os limites até o inimaginável. Algumas vezes a situação já tomou proporções grandes e a criança praticamente manda na família. É quase uma tirana. Ninguém vê TV se não for o seu desenho animado, não se come em paz, porque ela quer o prato que o irmão está usando, não quer escovar os dentes, chora porque não quer pentear o cabelo, joga longe a comida se não for arrumada com as batatinhas do lado direito do prato, ou seja, o céu é o limite para elas. Nessa hora, alguém tem de informá-la que a casa já tem dono. E, para isto, pode ser necessário ficar “de molho” alguns minutos no banquinho no canto da sala, o que ela recusará terminantemente, mas que será reconduzida, mesmo que seja duzentas e trinta e nove vezes seguidas, até ela entender que não está mais no comando. Na próxima vez, serão só cento e vinte e cinco vezes, até que, finalmente,  numa primeira tentativa, ela vai entender que perdeu o jogo. Não vale castigo de ficar no quarto, nem de ficar no sofá da sala, aconchegada. Tem de ser num canto mesmo, bem desconfortável e sem ter o que fazer, para ela sentir o tempo passando. Esta forma de impor respeito, algumas vezes, pode ser a única para se resgatar o controle sobre a criança e deve ser contrabalançada com um pouco mais de atenção em momentos de descontração familiar, brincando um pouco mais com a criança, elogiando seu bom comportamento. Isto faz com que ela entenda que é amada e a reforça de forma positiva a se comportar bem.

 

Tags: Birras
Postado na sessão Blog por Roberta
Logar com:


Cadastre-se Recuperar Senha